Sendo, uns para os outros, Corpo de Cristo

Este mural pintado por Maximino Cerezo Barredo (1932-2005), conhecido como "o pintor da libertação", retrata o Corpo de Cristo ressuscitado junto dos mártires da defesa da vida, pela força do amor do Abba querido e do Sopro de Amor, Divino Espírito Santo.
Este mural pintado por Maximino Cerezo Barredo (1932-2005), conhecido como "o pintor da libertação", retrata o Corpo de Cristo ressuscitado junto dos mártires da defesa da vida, pela força do amor do Abba querido e do Sopro de Amor, Divino Espírito Santo.

Nós, teus discípulos e discípulas,
fomos, ainda somos e até quando
seremos tão lentos para compreender,
que ninguém pode ser excluído do amor,
sim, ser excluído do amor do Pai celestial,
do amor que nos faz filhos e filhas de Deus,
e nos torna irmãos e irmãs uns dos outros?

Nós sempre criamos justificativas,
para legitimar as abjetas hierarquias,
para legalizar as ignóbeis opressões,
para validar as infames desigualdades,
para inocentar a cultura da indiferença,
e reconhecermos a nossa impotência,
ante a exclusão de tantos irmãos e irmãs.

Como discípulos e discípulas do Reino,
quando nos reunimos em torno de ti,
e, pela fé, fazemos a tua memória viva,
vida doada para que todos tenham vida,
nós comungamos o teu corpo e sangue,
e nos comprometemos a seguir teu caminho,
sendo, uns para os outros, Corpo de Cristo.

Ajude-nos, Jesus, te pedimos confiantes,
a superar a perversa lógica do nós e eles,
dos puros e impuros, santos e pecadores,
e acolher que todos somos amados de Deus,
e que, por Ele, fomos aqui colocados juntos,
com lugar reservado à mesa da irmandade.

Ajude-nos a perceber o quão necessário
é nosso compromisso diário e esmerado,
com a prática da justiça e da misericórdia,
com a centralidade dos mais vulneráveis,
dos pobres, sofredores e marginalizados,
no cultivo cotidiano do amar, cuidar e servir.

Edward Guimarães
Belo Horizonte, 19 de junho de 2025.
Poema oração provocado pelo Evangelho (Lucas 9, 11b-17):

“11b Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam. 12 A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto”. 13 Mas Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente”. 14 Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta”. 15 Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. 16 Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão. 17 Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.”

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