Até quando, meu Deus, aceitaremos passivos?

na cadeia: K na mesma cela de presos homens. Imagem cedida pelo advogado Dacimar Carneiro
na cadeia: K na mesma cela de presos homens. Imagem cedida pelo advogado Dacimar Carneiro

Até quando, meu Deus,
aceitaremos passivos,
este patriarcalismo insano,
cultural e estrutural,
tão abjeto e perverso,
quanto doentio e diabólico,
que há tanto tempo
faz e continua a fazer,
em nossa sociedade,
neste país que se diz cristão,
tantas vítimas inocentes?

Até quando, meu Deus,
permaneceremos calados,
submersos neste asco
mar de hipocrisias,
a cultivar alienados,
espiritualidades intimistas,
com estruturas religiosas
tão frias e indiferentes,
cúmplices com o poder econômico,
divorciadas da vida,
distantes dos pobres,
doentes e vulneráveis,
sem posturas proféticas
a sair em defesa da vida?

Dá-nos, Senhor Jesus,
o dom de tua liberdade,
de teu discernimento crítico,
de tua coragem profética
para permanecermos firmes,
fiéis no teu íngreme caminho,
e, a despeito das ameaças,
de condenação à cruz,
a crer que a vida é frágil e sagrada
e que Deus é a Fonte da vida,
o Deus de tua Ressurreição.

Edward Guimarães
Belo Horizonte, 24 de julho de 2025.
Poema oração brotado da indignação
nascida do estômoga embrulhado
e da solidariedade solícita
diante de uma vítima inocente.

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